O que há de errado em fazer marketing do seu trabalho?

“A coisa mais importante é prever aonde os clientes vão e parar na frente deles”
(Philip Kotler)

Tenho ouvido e lido algumas críticas ao atual prefeito de São Paulo porque ele “faz” e imediatamente “divulga” e, muitas vezes, divulga enquanto faz.

O que há de errado nisso? O que há de errado em “fazer” e fazer (desculpem-me a redundância) marketing daquilo que se realiza?

Tenho acompanhado esse prefeito na maioria de suas ações e “comunicações” e, não que ele não erre, mas estou bem satisfeita com ele; entretanto, independentemente dessa minha satisfação, crítica que sou, também comecei a pensar sobre o seu modelo de Gestão e esse seu jeito de lidar com as mídias, o que me fez lembrar dois episódios ocorridos em empresas onde atuava como gestora de RH – um deles, numa multinacional, quando sugeri ao meu gestor que gostaria de assumir nova posição em outro país. Minha avaliação de “performance” era sempre top – “outstanding”, “high performance” – portanto, supunha eu, ter todas as condições de ser bem avaliada para novas posições em outro país, só que não!

Ele, meio constrangido, falou: “Você é ótima profissional, de excelente resultado, tudo o que você faz, faz bem, mas ninguém desses países que você tem interesse ouviu falar de você. Você não faz seu marketing pessoal direito”.

Posteriormente, ainda não tendo aprendido, às vezes custo a aprender, fui para outra empresa e trabalhei duro – como me é usual. Procurei por o meu melhor em tudo o que fazia e os resultados eram vistos a olhos nus… eu achava.

A empresa em franco crescimento adquirindo novos negócios fora do país, tudo indo muito bem – à toa não era! Afinal, tinham uma excelente profissional gerindo a área de Recursos Humanos (brincadeirinha!), pessoa que seria uma ótima parceira agora que a empresa tinha tantos novos desafios nas questões de integração de equipes e pessoas. Só que não!

Subitamente fui informada que a empresa estava contratando uma pessoa “mais sênior” para assumir o RH Corporativo – eu continuaria cuidando do Brasil. Mas, por quê? Ora, porque você é uma ótima profissional, de excelente resultado, tudo o que você faz, faz bem, mas “acho que para atuar em outros países, precisaremos de alguém mais vendedor, alguém que saiba cobrar mais e, também, mostrar mais o que faz, caso contrário, será engolido por eles”.

Deixei a tal empresa que, aliás, contratou um … não posso dizer o que acho da contratação que fizeram porque não quero perder a elegância nessa hora, mas, deixei a empresa em 6 meses e o tal Senior durou mais uns 6 meses… Acho, e agora quem acha sou eu, que ele não era tão bom em fazer e, portanto, não tinha muito o que mostrar… “Apenas, acho.”

Pois bem, aprendi, aprendi apanhando, mas aprendi mesmo.

Há que se ser ético em primeiro e mais importante lugar, há que se fazer bem feito, há que se contribuir para melhorar e mudar o que tem que ser mudado, há que se propor soluções, há que se trabalhar duro e muito, mas, há que se fazer marketing, sim senhor. Talvez, se eu tivesse feito o meu marketing, teria tido a oportunidade de contribuir mais e melhor para aquelas duas empresas.

Então, respondendo a pergunta do título deste artigo: Na minha humilde opinião, não há nada de errado em se fazer marketing daquilo que se faz, do nosso trabalho, especialmente se realmente se trata de um trabalho bem feito, de qualidade, onde a gente colocou o nosso melhor. Se um pouco do nosso coração se alojou ali, se o sangue em nossas veias borbulhou enquanto trabalhávamos, se ao final do trabalho não nos contivemos de emoção e alegria ao ver o seu resultado, não pode haver nada de errado em divulga-lo; talvez, errado estará se não mostrarmos ao mundo, porque assim, não estaremos contribuindo para a disseminação daquilo que é bom, boas práticas devem ser compartilhadas, não?

Áurea Grigoletti – Junho de 2017

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