Está faltando foco?

Nunca a indústria automobilística fez tanto recalls como atualmente. Ao mesmo tempo, há pouco tempo, o IBGE cometeu falhas graves e divulgou dados errados sobre o Brasil. Quase ao mesmo tempo, foram encontrados parafusos e comprimidos trocados em embalagens de remédios. Antes, encontraram água mineral com sujeira e um achocolatado contaminado com bactérias. No meio de tudo isso, você vai ao supermercado e vê que a caixa que o atende mantém, ao mesmo tempo, animada conversa com a colega ao lado ou com o empacotador, enquanto registra suas compras com valores errados.

A lista de “descuidos”, erros e descasos de profissionais e empresas vem se tornando grande e constante. Cabe perguntar: onde está o comprometimento com a qualidade na fabricação e venda dos produtos?

Tudo indica que grande parte das pessoas do mercado de trabalho não está conseguindo manter a atenção, o foco naquelas tarefas para as quais são pagas para executar com eficiência. É nessas circunstâncias que surgem os erros citados no início.

Essa desatenção é observada em quase todas as áreas de produção e serviços – e o quadro vem piorando. A conclusão que se chega é de que há uma crise generalizada no campo da responsabilidade, da motivação, do comprometimento – enfim, do profissionalismo – ao que parece com a conivência ou omissão das lideranças.

É de se acreditar que mudanças sociais, morais e comportamentais – estimuladas pelos “modernos” filmes, novelas e revistas de fofocas – vêm induzindo as pessoas a priorizarem a busca indiscriminada do prazer e do “laissez-faire” em prejuízo das obrigações, da dedicação, atenção e qualidade do trabalho. O que a sociedade tem assistido, por mais violento, corrupto e absurdo que seja, é apenas uma amostra do que poderá vir – se algo não for feito com urgência.

Em outras palavras: ou se promove uma mudança substancial e consistente no sistema educacional e social do País – e não só dirigido aos jovens, mas também aos pais, educadores, governantes e empresários – ou em breve o caos se instalará de forma quase irreversível.

Floriano Serra

Psicólogo, escritor e palestrante, autor de vários livros e artigos sobre o comportamento humano nas empresas. Foi diretor de Recursos Humanos de empresas nacionais e multinacionais.

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